O objectivo era simples. A Neuralink, empresa norte-americana de neurotecnologia, fundada por Elon Musk, pretendia apresentar a versão 0.9 do seu interface neural – o Link -, para cativar sócios e parceiros a trabalhar com a tecnológica. Mas o que mostrou ao mundo foi um dispositivo que promete revolucionar neurologia e resolver diversos problemas cerebrais a que está sujeita uma grande percentagem da população mundial.

“Muita gente não sabe mas todos os nossos sentidos: a visão, a audição, o tacto, e também a dor, são impulsos eléctricos enviados pelos neurónios para o cérebro”, explica Musk. Actuando sobre estes impulsos através de um dispositivo implantado no crânio, o paciente/utilizador poderá resolver questões de surdez, cegueira, dor extrema, mas também de ansiedade, depressão, adição, perda de memória, danos cerebrais, acidentes vasculares cerebrais e, até, problemas mais motores como o paralisia – através de um segundo implante que devolva a comunicação entre o cérebro e os membros afectados, via medula espinal.

 

O Link

“É como um Fitbit (relógio utilizado por desportistas que regista dados como o batimento cardíaco ou a qualidade do sono) para o teu cérebro, com fios pequenos”, brinca Elon Musk sobre o dispositivo. Cada Link dispõe de mais de 1000 canais (eléctrodos), controlados através dos seus 23mm x 8 mm, além dos diversos sensores de temperatura, pressão, entre outros, que poderão monitorizar o funcionamento do corpo e alertar atempadamente para um ataque cardíaco ou um derrame cerebral. A tecnologia, para já, está concebida para durar “todo o dia” e ser carregada via wireless durante a noite.

O Link tem, sensivelmente, o diâmetro de uma moeda de 2€ e pouco menos do quádruplo do espessura.

A instalação do dispositivo requer a remoção de um pedaço de osso craniano do tamanho de uma “moeda grande”, a inserção dos eléctrodos no tecido cerebral e do próprio Link – que irá substituir o pedaço ósseo removido -, sendo a operação concluída com a colocação de “super-cola” para devolver a pele à sua posição inicial. Para conseguir a precisão e minúcia necessárias num procedimento cirúrgico com estas características, foi também desenhado um robô que mapeia todo o cérebro e conclui a inserção dos eléctrodos evitando qualquer veia ou artéria, o que impede o cérebro de sangrar.

Através dos seus 5 a 10 metros de alcance via wireless, será possível ligar o Link a nosso smartphone para que seja possível visualizar, em tempo real, as leituras que o dispositivo faz do nosso cérebro.

 

“Mas isto funciona?”

Para demonstrar o funcionamento e o baixo risco associados ao implante do Link, Elon Musk fez uma demonstração ao vivo com três porquinhas: uma sem implante (Joyce), uma com implante (Gertrude) e outra que já teve implante mas foi removido (Dorothy). Todas elas “felizes e saudáveis”, assegura o fundador da Neuralink.

Dorothy já teve o Link implantado. Continua com fome.

Quanto à Gertrude, o Link está ligado aos neurónios que recebem informação do seu focinho e, cada vez que este toca no chão, envia sinais neurais detectáveis pelos 1024 eléctrodos inseridos no seu cérebro há dois meses atrás. Um quarto porquinho apareceu pouco depois para provar que é possível ter mais do que um Link implantado no cérebro sem que seja possível distingui-lo das demais.

Além da leitura dos sinais neurais, o Link também permite “escrever” no cérebro, e foi possível ver vários neurónios a serem estimulados em duas regiões diferentes do cérebro. “É possível ter um eléctrodo a estimular 1000 ou, possivelmente, 10.000 neurónios”, explica Elon Musk. Para proceder a todos os implantes realizados pela empresa foi utilizado o robô-cirúrgico desenvolvido pela equipa da Neuralink, assegurando que também este está operacional.

 

Um projecto em expansão

Por enquanto, não foi possível observar nenhuma das soluções a que o aparelho se propõe, apenas verificar que efectua leitura de sinais neurais e os seres-vivos se mantém como tal após receberam o implante.

Mas, segundo o fundador, o projecto pretende expandir-se e está, como foi dito, à procura de pessoas com conhecimentos aos níveis de robótica, electrónica, biologia, química, cirurgia, neurociência, software, materiais e, claro, tratamento de animais. “Não é preciso ter conhecimento sobre o cérebro, isso aprende-se”, garantiu Elon Musk aos possíveis candidatos.

Para quem tinha dúvidas, “sim, vai ser possível fazer ‘summon’ do teu Tesla com a mente após o implante”, confirmou a principal cara da Neuralink. “Isso é o mais fácil”.

Vê aqui a apresentação completa:

RESPONDE_

comentar_
nome_