“Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias, por qualquer meio de expressão”, é considerado na Declaração Universal dos Direitos Humanos – mas nem todos os países concordam com essa ‘opinião’. E se a luta pelo direito de expressão e informação pode ser desigual, ela também encontra aliados onde, muitas vezes, menos se espera.

Esse é o caso do Minecraft, jogo pixelizado em blocos onde se pode, entre outras coisas, construir estruturas e cooperar com outros jogadores, agora utilizado pelos Repórteres Sem Fronteiras na construção da Uncensored Library: uma biblioteca virtual utilizada na partilha de informação impedida de circular pelas máquinas de censura dos estados, e onde Facebook, Twitter e muitos sites noticiosos são bloqueados.

O edifício virtual de mais de 12.5 milhões de blocos, construído pela parceria entre a produtora digital MediaMonks e a agência BlockWorks, conta com três jardins, cinco salas dedicadas a países onde a liberdade de informação é atropelada por regimes autocratas (Egipto, México, Rússia, Arábia Saudita e Vietname) e uma outra por conta dos Repórteres Sem Fronteiras.

Lá dentro, “podemos encontrar artigos e informação acerca dos jornalistas que estão a ser censurados nos seus países”, explica Robert-Jan Blonk, produtor sénior de conteúdos interactivos na MediaMonks. “Partilhamos estas histórias através dos livros da biblioteca porque mesmo nos países (…) de onde são estes jornalistas, é permitido jogar Minecraft”.

Segundo Blonk, a biblioteca é impossível de ser censurada porque, se um destes governos tentar hackear um servidor, outros servidores passam a alojar o ‘edifício’. “Com tantas pessoas a jogarem o jogo, há sempre uma versão em rede, portanto ninguém a consegue mandar abaixo”.

Os cerca de 145 milhões de jogadores que jogam Minecraft todos os meses, e mais alguns que decidam começar a jogar entretanto, podem adicionar conteúdos novos. O que, espera a equipa, pode ajudar a espalhar a mensagem sobre as liberdades de imprensa, de expressão e de informação.

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