No início era o verbo. Apareciam os primeiros computadores pessoais e CDs. Os walkman estavam para os iPods e leitores de mp3 como as boomboxes estavam para as colunas com powerbanks com que hoje nos dão música pela rua ou no metro. O Pac-Man era o Fortnite ou o League of Legends da época. O mundo era um lugar inóspito na década de ’80, se é que mudou assim tanto.

Contudo, em 1973, dava-se início à Primeira Geração móvel (ou 1G), com a Motorola – pelas mãos de Martin Cooper – a desenvolver um telefone móvel analógico de 800 gramas que não fazia mais do que chamadas. Talvez alguma coisa tenha mudado, afinal.

Posto isto, quarenta anos e 4 gerações móveis passadas, a 5G promete ser a maior revolução de sempre desde a invenção da rede móvel, com impacto directo nas mais variadas vertentes da vida de cada um de nós.

 

QUINTA GERAÇÃO, UM FUTURO INTERLIGADO.

Como nas anteriores gerações, também a 5G significa maior velocidade e estabilidade na ligação dos nossos dispositivos móveis à rede sem fios. E à semelhança das suas predecessoras, a nova geração móvel assegura menor latência, ou seja, menor tempo de resposta entre o momento em que o utilizador dá um comando à rede, o comando chega ao servidor e a resposta ao comando é devolvida ao utilizador.

Assim, a velocidade de download vai subir para os 10Gb por segundo, a latência vai descer dos 20 milissegundos com a 4G, para a mais baixa possível com um só dígito – 1 a 2 milissegundos.

Para Andre Fuestch, Director de Tecnologia da empresa de telecomunicações norte-americana AT&T, esta possibilidade vai abrir portas a “experiências em tempo-real como nunca tivémos antes”. Mas quais são as implicações reais de uma margem tão pequena?

INFORMAÇÕES TÉCNICAS E PENETRAÇÃO

Em primeiro lugar, a nova Geração pretende dar resposta ao número crescente de dispositivos ligados à rede móvel que, segundo a empresa de pesquisa e investigação We Are Social, já ascende aos 4.3 mil milhões de utilizadores por todo o mundo. É muita coisa! 😮

Este número representa uma penetração de 57% nos 7.7 mil milhões de população e só tende a aumentar mas, com a 5G, vai ser possível termos até 1 milhão de sensores de rede por quilómetro quadrado.

INTERNET DAS COISAS

Outra das grandes responsáveis pela necessidade de uma Rede mais rápida e com maior largura de banda é a chamada Internet das Coisas (IoT) – ou Internet of Things. Segundo a consultora Gartner, 59% das empresas questionadas contam usar a rede 5G para funções relacionadas com a IoT.

Ou seja, a Quinta Geração móvel vai levar a internet móvel além dos smartphones e colocá-la nos mais diversos dispositivos, exigindo novas ligações à Rede: além das relações entre pessoas, a IoT torna inevitável haver mais ligações para as relações entre pessoas e dispositivos, e entre dispositivos uns com os outros. Isto significa que qualquer dispositivo com um botão de ligar e desligar, virtualmente, possa ser ligado à internet, seja com o propósito de estar em contacto com outros dispositivos ou com a função de responder a comandos dados por pessoas.

APLICAÇÕES

Com isto, abrem-se inúmeras possibilidades. Sejam estas em aplicações nas smarthouses, altamente personalizáveis por parte de quem lá mora – da iluminação ao sistema de som, passando pela climatização e acabando na smarttv. Ou na mobilidade e transportes, com a autonomia dos veículos a poder ser aplicada a particulares, transportes públicos ou transporte de mercadorias e entregas.

Sem esquecer a realidade aumentada, uma das grandes promessas da tecnologia para os próximos anos, em que o utilizador ganha um sexto sentido através do qual pode experimentar o mundo real através de complementos virtuais. Se ainda não viste o filme “Minority Report”, ou vais ver,.. tipo… JÁ! Ou esquece, vais estar dentro dele daqui a alguns dias. 😛

OS PERIGOS.

Sem alarmismos mas com cautela. A esta altura não será novidade para ninguém que as radiações provenientes dos smartphones estão classificadas como “possivelmente cancerígenas” pela Organização Mundial de Saúde. Esta classificação quer dizer que há algumas evidências sobre o efeito cancerígeno destas radiações mas ainda não há estudos conclusivos que o permitam afirmar com mais clareza.

É inegável que todas as evoluções acarretam riscos, principalmente nas fases experimentais e à medida que vão sendo reguladas. Daí que não seja conclusivo o efeito das radiações desta última geração móvel e, pelo sim pelo não, uma utilização moderada, regrada e defensiva seja um bom princípio.

Outro dos grande riscos da 5G prende-se com a IoT. Considerando a pouca consciência da população em geral no que toca a mecanismos de protecção e defesa da persona que criam em ambiente digital, é garantido que a nossa exposição vai crescer exponencialmente. A quantidade de dados pessoais disponíveis sobre cada um vai aumentar ao passo que as noções ciber-segurança se vai manter em níveis bastante baixos.

Isto quer dizer que já não vai ser só o nosso smartphone ou o nosso computador pessoal a poder ser hackeado, ou os inúmeros sites pelos quais espalhamos os nossos dados pessoais em rede, mas também a nossa casa, o nosso carro, os nossos dados clínicos, e todas as empresas que têm acesso aos dados que o crescente número de dispositivos vai recolher sobre nós, as nossas relações e os nossos hábitos.

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