“De facto, prevejo que a Amazon vai falir um dia. A Amazon vai falhar. Se olhar para as grandes companhias, o seu tempo de vida tende a ser de mais de 30 anos, não de mais de 100 anos”, respondeu Jeff Bezos a um trabalhador preocupado com o futuro da Amazon face às recentes declarações de insolvência de grandes retalhistas norte-americanos como a Toys R’Us, a Claire’s e, mais recentemente, a Sears.

Bezos foi mais longe e afirmou que “se começar-mos a focar-nos em nós mesmos, em vez de nos focar-mos nos clientes, vai ser o início do fim”, pedindo ajuda aos trabalhadores para “adiar esse dia [de abertura de falência] tanto quanto possível”.

As declarações do multi-bilionário foram recebidas com grande surpresa, num altura em que a Amazon conseguiu receitas na ordem dos cerca de 50 mil milhões de euros no terceiro trimestre de 2018, a cimentar a sua posição enquanto uma das maiores empresas do mundo a operar na internet.

A empresa garantiu ainda o seu lugar entre os gigantes da computação em nuvem e a sua assistente por voz Alexa ganha cada vez mais adeptos. Também as acções da empresa subiram mais de 307% desde 2013.

A PREVISÃO PODE ESTAR CERTA.

Ainda que a crença de Jeff Bezos pareça descabida, dados os números, pode não andar longe da verdade.

Como explica Richard Kestenbaum, na Forbes, a Amazon tem feito um excelente trabalho em diversas áreas, e uma delas é fazer com que o mercado especulativo da bolsa avalie a empresa baseando-se no crescimento da receita da empresa, assumindo que se tornará rentável um dia.

Por outro lado, a Amazon explica a sua baixa rentabilidade com o investimento na inovação, desde novas ideias a experiências que faz para se manter na frente, argumento que o mercado bolsista tem aceite até agora – quanto mais não seja pelo seu crescimento de 20 a 25% ao ano.

Além disso, a Amazon tem investido em aspectos do seu negócio como a logística e a tecnologia, que não fizeram parte central do mercado retalhista até então, de forma a oferecer melhor serviço aos seus clientes.

Sem contar com um grande investimento que fez no mercado de computação em nuvem, e que contribui com mais dinheiro do que todo o resto da estrutura inteira da Amazon.

Contudo, 2019 deverá ser mais um ano de forte crescimento para a Amazon, com Doug Anmuth, analista para a internet do J. P. Morgan, banco de investimentos e serviços financeiros, a prever um crescimento exponencial para o gigante de comércio electrónico comandado por Jeff Bezos.

Ou seja, mesmo que a Amazon venha a morrer para o mercado retalhista, daqui a mais de 30 anos, tudo leva a crer que Bezos não morrerá falido.

PULSEIRAS ELECTRÓNICAS E CONDIÇÕES PRECÁRIAS

Em janeiro deste ano, 2018, a Amazon anunciava o registo da patente de pulseiras electrónicas, a serem utilizadas pelos seus trabalhadores, de forma a “monitorizar o desempenho” dos seus trabalhadores de armazém, avançou a GeekWire.

trabalhadores da Amazon em protesto.

Segundo a descrição da patente, a pulseira serve para “rastrear a localização do utilizador e identificar os caixotes na proximidade”, de forma a perceber se o trabalhador está perto dos caixotes nos quais devia estar a trabalhar. Contudo, ainda não é certo que a empresa as venha a utilizar.

Já em outubro, a empresa anunciava a subida dos salários para 15 dólares/hora. O aumento resultou, para muitos dos trabalhadores, num aumento de 1 dólar/hora. Para outros, em coisa nenhuma dado que já recebiam mais de 15 dólares/hora, como dá conta o New York Times.

Segundo a mesma publicação, com o aumento, a empresa acabou com bónus de produtividade e assiduidade, e retirou ações da empresa aos trabalhadores. Ou seja, muitos dos trabalhadores acabaram por perder milhares de dólares/ano, com o “aumento”.

De acordo com as estimativas do Deutsche Bank, esta actualização de salários “representa menos de 1% das receitas previstas para 2019”, na empresa controlada pelo homem mais rico do mundo.

RESPONDE_

comentar_
nome_